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Trabalhadores Protegidos

Lições aprendidas sobre o COVID-19

Esta pandemia tem confrontado o mundo com problemas sem precedentes. As federações sindicais globais como ISP, EI e a AFT filiada na ISP organizaram um seminário para aprender com aqueles que estão mais avançados na cronologia desta pandemia.

Os painelistas do seminário foram trabalhadorxs dos serviços públicos gerais e de saúde do Japão, Coreia do Sul, Itália, Estados Unidos e Noruega, e os secretárixs – gerais da ISP e da EI, com participantes de todo o mundo. Randi Weingarten, Presidenta da Federação Americana de Professores (AFT), moderou o webinar e enviou uma mensagem de solidariedade a todos os trabalhadores afetados por esta pandemia.

Michele Vannini, da área de Saúde – Federazione Lavoratori Funzione Pubblica (FP-CGIL) em Itália, descreveu um cenário horrível nos hospitais italianos, uma vez que continuam a ser inundados de doentes. A Itália atingiu o maior número de mortes em 24 horas, em 19 de Março, com 475 mortes confirmadas. O número mais elevado registado num dia desde o início do surto. O número de mortos levou os militares a intervir e ajudar os hospitais a deslocar os corpos dos mortos, uma vez que os trabalhadores da saúde estão sobrecarregados e têm de dedicar todo o seu esforço às doentes que dele necessitam.

Hideyuki Shimizu, Secretário-Geral do sindicato dos Professores do Japão, falou das medidas produtivas que têm sido tomadas nas escolas. As escolas poderão recomeçar em abril e o Governo japonês está ponderarando seriamente as orientações sobre a forma como isso poderá ser feito. Não existem máscaras suficientes, desinfetante de mãos e álcool, pelo que este é um dos maiores problemas que o Governo está a enfrentar e a tentar obter, antes de as escolas reabrirem. Mas o que é mais preocupante e deve ser tomado em consideração é a saúde psicossocial e o stress dos alunos que não podem ir à escola há tanto tempo. E muitos dos alunos contam com o sistema escolar para lhes fornecer refeições regulares.

Na Coreia do Sul, registraram-se poucos casos de médicos infectados em hospitais. Mas quando isso aconteceu, havia protocolos adequados para o acompanhamento, por exemplo, se o indivíduo tinha usado uma máscara ou não, e depois foram postos em isolamento imediato, disse Jeonghyeon Lee, Presidente da Divisão da Daegu – KPTU Health Worker Solidarity Division.

Rosa Pavanelli

Se houver vontade política, ela pode ser imposta e decidir sobre as regras económicas. Em Itália, as fábricas e indústrias privadas foram obrigadas a produzir equipamentos e dispositivos de proteção individual para o sector da saúde

Rosa Pavanelli, Secretária-Geral da ISP, afirmou que se houver vontade política, podem ser impostas e decididas regras económicas. Na Itália, as fábricas e indústrias privadas foram obrigadas a produzir equipamentos e dispositivos de proteção individual para o sector da saúde. Sabemos que é crucial, nesta fase, conter e reduzir a propagação da COVID-19. A Espanha nacionalizou 47 hospitais e a França aprovou legislação para garantir que os hospitais privados deixem de poder escolher quais os doentes a aceitar e quais os que devem recusar os cuidados.

Wol-san Liem, Director dos Assuntos Internacionais do Sindicato dos Trabalhadorxs de Transporte e dos Serviços Públicos da Coreia do Sul (KPTU), chamou a atenção dos presentes para o quanto o vírus pode afetar os trabalhadorxs precárizados. Este vírus, esta crise, afeta toda a gente, mas toda a gente de forma desigual. Por exemplo, nos hospitais onde não há sindicatos para intervir, muitas vezes não há ninguém para garantir que todos recebem a informação correta sobre as infecções e têm acesso a equipamentos de proteção individual (EPIs).

Estes são os trabalhadorxs precarizados, que muitas vezes são deixados fora da estrutura de comunicação e ficam mais vulneráveis em contrair o vírus, uma vez que são geralmente os que prestam assistência aos doentes.

Haldis Holst, Secretário-Geral Adjunto da Educação Internacional, da Noruega, descreveu que o governo que está a aprovar rapidamente leis de emergência que obrigam a enfrentar as consequências da propagação da COVID-19 e a salvar empresas e infraestruturas privadas. Isto tem levado a sociedade a concentrar-se no que é necessário do setor público, uma vez que muitos estão percebendo que há muitas poucas empresas privadas que possam sobreviver sem infraestrutura do setor público.

Kelly Trautner, Diretora da área de Saúde da Federação Americana de Professores (AFT) testemunhou que um dos principais motivos de preocupação nos Estados Unidos é o fato de existirem locais onde a escassez de equipamento de proteção individual é tão grave que enfermeirxs e outros estão procurando na Internet como fazer as suas próprias máscaras. A posição da AFT e de outros sindicatos nos Estados Unidos é que os trabalhadorxs da linha da frente ou qualquer trabalhador da área da saúde que possa estar exposto ao vírus estejam protegidos no mínimo com o nível de penetração do filtro de 95 l/min de fluxo de ar. O Presidente invocou a Lei de Proteção da Defesa, que oferece incentivos ao sector privado para a produção de equipamento de proteção individual, mas não temos certeza de como isso irá funcionar, uma vez que estamos semanas atrasados em relação ao vírus neste momento.

Randi Weingarten, AFT, concluiu a reunião virtual , enfatizando a importância da utilização de recursos digitais nestes tempos, especialmente para as pessoas que vivem sozinhas; estas oportunidades podem ser a única forma de as pessoas se relacionarem umas com as outras. Por conseguinte, é fundamental que tenhamos estas conversas, que difundamos o conhecimento, não só entre nós, mas também entre os nossos membros e a população em geral.

Para mais informações sobre a ISP e os seus objetivos de combate a propagação da COVID-19 e a sua campanha ” Trabalhadoras e Trabalhadores Protegidos Salvam Vidas”, clique aqui